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A Suprema Corte dos EUA derrubou parte do tarifaço de Trump e abriu novas janelas para o agro. Mas a incerteza ainda pesa e saber se virar nesse cenário pode valer milhões

tarifaço de Donald Trump sacudiu o comércio global e o agronegócio brasileiro sentiu o tremor. Desde agosto de 2025, tarifas de até 50% sobre produtos importados pelos EUA entraram em vigor e acenderam o sinal de alerta entre produtores, exportadores e investidores do setor.

Suprema Corte americana declarou inconstitucional uma parcela significativa dessas tarifas. Com isso, a sobretaxa de 40% e a taxa recíproca de 10% foram derrubadas. O alívio chegou diretamente a produtos como café, frutas, pescados, mel, açúcar e etanol. Aço e alumínio, contudo, continuam com barreiras elevadas. O cenário, portanto, é de alívio parcial mas com muitas variáveis ainda em aberto.

O impacto real nas exportações brasileiras

A reconfiguração tarifária altera pontualmente o fluxo de exportações, sobretudo em setores como açúcar, etanol e proteínas. No entanto, segundo André Aidarespecialista em Direito do Agronegócio, o movimento dificilmente produzirá impacto relevante sobre a balança comercial ou o câmbio no curto prazo.

“Os preços globais das commodities continuam sendo formados em mercados amplos e altamente competitivos”, explica o especialista. Portanto, o efeito mais provável é microeconômico com redirecionamento de fluxos e ganhos pontuais de competitividade para determinados segmentos do agro brasileiro.

O que muda para quem investe na B3

Para investidores com posições em empresas do agro, o novo cenário acende uma luz amarela de atenção. Por um lado, há oportunidades reais de melhora de margens especialmente em produtos mais sensíveis às tarifas. Por outro, a incerteza regulatória permanece alta.

“Medidas tarifárias têm natureza política e podem ser revistas com relativa rapidez”, alerta Aidar. Em resumo, o ambiente é de oportunidade moderada, mas ainda com grau significativo de risco no radar.

Empresas como RaízenSão Martinho e JBS podem capturar ganhos marginais de margem com a redução das barreiras. Contudo, esses ganhos tendem a ser parcialmente compensados por variações cambiais, custos logísticos e pelos próprios preços internacionais das commodities. O impacto mais provável, portanto, é incremental e não estrutural.

Além disso, uma maior previsibilidade no acesso ao mercado americano pode favorecer a avaliação dessas companhias na bolsa. Mesmo assim, o investidor tende a continuar precificando instabilidade comercial global. Afinal, o uso recorrente de tarifas como instrumento de política econômica não dá sinais de que vai parar.