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Existe uma frase muito repetida na advocacia: os primeiros cinco anos são os mais difíceis.

Durante muito tempo, enxerguei essa marca temporal como se, ao ultrapassá-la, finalmente estivesse autorizada a me sentir advogada. Hoje, após nove anos de profissão, percebo que aqueles cinco anos nunca foram sobre tempo. Eram sobre transformação.

Iniciei minha trajetória em 2017, movida pelo entusiasmo natural de quem ingressa na profissão acreditando que o domínio da técnica jurídica seria o maior desafio da carreira e, ao mesmo tempo, suficiente para conquistar meu espaço.

A prática, entretanto, mostrou que a advocacia exige muito mais do que conhecimento. Exige maturidade, capacidade de adaptação, inteligência emocional e, sobretudo, a construção diária da credibilidade.

Nos primeiros anos de carreira, embora sempre estivesse inserida em uma rotina de grandes escritórios e cercada de excelentes profissionais, enfrentei desafios que iam além dos processos e dos prazos.

Eu era jovem. Mulher. E, na maior parte das vezes, estava diante de clientes, empresários e gestores predominantemente homens, com trajetórias muito mais longas do que a minha.

Antes mesmo de apresentar uma solução jurídica, muitas vezes era necessário demonstrar que eu estava preparada para conduzir aquela demanda. Não foram poucas as ocasiões em que precisei provar, mais de uma vez, uma competência que talvez fosse presumida caso eu tivesse outra idade ou outro tempo de carreira.

Com o tempo, compreendi que autoridade não é algo concedido. Ela é construída. Não pela imposição, mas pela consistência. E percebi que essa seria apenas a primeira de muitas barreiras que ainda precisaria superar.

Em 2021, iniciei uma nova etapa da minha trajetória ao ingressar no Lara Martins Advogados como coordenadora da equipe cível. Foi ali que minha visão sobre a profissão começou a mudar. Passei a compreender que advogar vai muito além da condução de processos. É participar das decisões estratégicas dos clientes, desenvolver pessoas, gerir equipes e entender que o crescimento de um escritório é resultado de um trabalho coletivo.

Curiosamente, 2023 representou um marco importante nessa caminhada. No calendário chinês, aquele foi o Ano do Coelho de Água, símbolo de adaptação, prosperidade e inteligência estratégica. Independentemente de qualquer crença, gosto da coincidência dessa simbologia com o momento que eu vivia. Era justamente o ano em que completava cinco anos de advocacia, marco que muitos associam ao fim da chamada advocacia jovem.

Coincidentemente, aquele também se tornou o que costumo chamar de meu “Ano do Sim”. Fiz um compromisso comigo mesma de aceitar desafios, aproveitar oportunidades e dizer “sim” a experiências que me tirassem da zona de conforto.

E sair da zona de conforto significou muito mais do que assumir novas responsabilidades. Significou atuar em matérias que eu ainda não dominava, aprender a liderar pessoas, tomar decisões estratégicas e desenvolver uma relação mais próxima com os clientes.

Não foi um processo fácil. Crescimento raramente é. Houve momentos de insegurança, de cansaço físico e emocional e de questionamentos sobre minha própria capacidade. Mas aprendi que esses sentimentos fazem parte de qualquer processo de evolução.

O desconforto é temporário. O aprendizado permanece. O tempo passará de qualquer forma, então aproveite-o.

E foi justamente esse período que impulsionou os anos seguintes. Aos poucos, percebi que maturidade profissional não significa acreditar que sabemos tudo. Pelo contrário. Significa ter humildade para continuar aprendendo e coragem para assumir responsabilidades, afinal nenhuma carreira sólida é construída sozinha.

Hoje, tenho a convicção de que cada experiência contribuiu para a profissional que me tornei.

Recentemente, fui convidada a integrar a sociedade do Lara Martins Advogados e a assumir a liderança da área cível, justamente aquela para a qual fui contratada em 2021.

Olhando para trás, percebo que explorar novos caminhos nunca significou me afastar do meu propósito. Pelo contrário. Foi exatamente essa vivência em outras frentes que me preparou para retornar com uma visão mais ampla, estratégica e madura.

Recebo essa oportunidade com gratidão e, principalmente, com senso de responsabilidade. Mais do que um reconhecimento profissional, ela representa o compromisso de contribuir para o crescimento do escritório, para o desenvolvimento das pessoas que caminham ao nosso lado e para a entrega de soluções jurídicas cada vez mais qualificadas aos nossos clientes.

Se os primeiros anos da advocacia me ensinaram a conquistar meu espaço, hoje compreendo que o verdadeiro crescimento profissional está em gerar valor, desenvolver pessoas e construir um legado.

Afinal, uma carreira não se mede apenas pelos cargos que ocupamos, mas pelo impacto que deixamos ao longo do caminho.