Revisitando um texto que escrevi a alguns anos para o Instagram do Lara Martins, percebi algo que me deixou orgulhosa: a vida avançou, os degraus foram subindo, o cenário mudou, a responsabilidade aumentou, e eu continuo sustentada pelos mesmos valores. Naquela época, falei sobre onde a advocacia me levaria, eu disse que era “uma jovem advogada que, acima de tudo, tentava aproveitar a viagem ajudando o máximo de pessoas que estivessem à minha volta, pois pessoas precisam de pessoas”.
Hoje, com mais estrada, reafirmo essa essência com ainda mais convicção. Nada tem mais valor do que os laços que construímos ao longo da vida (profissional), porque, no fim, é disso que se trata: de pessoas que caminham com pessoas.
Cheguei ao LM em fevereiro de 2021, no auge da pandemia. Me inscrevi para a equipe direta do Rafael e, quando recebi o e-mail confirmando a inscrição e informando que eu era a número 398, eu jamais imaginaria que, em poucos dias, eu seria a número 1. A partir dali tudo o que eu fiz foi plantar. Desde o primeiro momento, me aproximei da Equipe Cível, que já era, à época, predominantemente voltada à Saúde, fiz questão de deixar claro, de forma contínua e transparente, que era naquela área que eu queria construir a minha trajetória. Não se tratava de um interesse passageiro, era um direcionamento consciente, sustentado por escolhas diárias, por presença e por entrega consistente.
Mais do que manifestar interesse, eu me coloquei à disposição. Eu me voluntariava para apoiar a equipe mesmo quando o tempo era curto, mesmo quando seria mais confortável apenas cumprir a minha agenda e encerrar o dia. Essa postura, repetida com consistência, foi formando um histórico de confiança e de entrega real, sustentado por um senso de pertencimento que nunca foi só um discurso.
Quando surgiu a primeira oportunidade, ela veio como consequência natural desse caminho: recebi o convite para assumir uma vaga na Equipe Cível e, a partir daí, percorri uma trajetória que me levou da posição de advogada júnior à gerência. Não foi um percurso “rápido”, foi construído, etapa por etapa, com trabalho, disponibilidade e responsabilidade, somados à confiança, ao respeito e à gratidão que compartilhei com a Nycolle, então sócia responsável pelo núcleo cível, e que teve papel determinante na consolidação dessa jornada.
Em 2023, primeiro semestre, atravessei o câncer do meu pai. A vida, quando decide impor suas provas, não pede licença ela apenas acontece. E aquele movimento duro reposicionou meus critérios e minhas prioridades. Foi nesse contexto que, mesmo com o coração triste, eu deixei o Lara Martins, eu buscava algo que, naquele momento, eu julgava precisar, eu não sabia, mas eu estava errada.
Acontece que, em quarenta dias eu fui convidada a retornar. E a vida, nesse intervalo breve e decisivo, em um pós cirúrgico de sucesso, restaurou a saúde do meu pai, e eu, mais certa do que nunca, voltei.
O meu coração vibrou com a volta ao Lara Martins como se eu soubesse, de alguma forma, que ali era o meu lugar. Há quem diga que eu me apeguei às pessoas. Sim, eu me apeguei. E não há nada de menor nisso. Apego, aqui, não é dependência, é vínculo. Inclusive, meus amigos daquela época seguiram suas vidas e encerraram sua jornada no LM, e eu continuo nutrindo os laços que construí ali dentro exatamente da mesma forma, com lealdade, as conexões reais não expiram junto com a devolução do crachá.
Só sendo um “LMer” para sentir e entender. O Lara Martins é vida que pulsa e faz vibrar o coração de quem está lá. Não há comparação possível com o sentimento que eu tenho por esse lugar.
Eu sempre digo que o Lara Martins é um solo fértil. É um lugar que desafia, cobra, exige e, na mesma proporção, devolve. E, ainda que seja quase uma máxima a lógica da colheita farta quando se faz um bom plantio, o Lara Martins é extraordinário, porque ali não se colhe apenas resultado, colhe-se maturidade, colhe-se senso de pertencimento, colhe-se uma cultura de responsabilidade que empurra a gente para cima, sem perder a humanidade que sustenta a caminhada.
Hoje, quando olho para trás, entendo que a minha história no Lara Martins não é apenas uma trajetória profissional. É um compromisso. Com as pessoas, com o trabalho bem feito, com a ética silenciosa do dia a dia, com o cuidado em cada entrega e com a decisão de construir ambientes em que as pessoas queiram ficar, crescer e florescer. E, se existe algo que eu levo comigo de forma inegociável, é isso: a advocacia pode ser técnica, estratégica e exigente, e ainda assim ser profundamente humana.
Convidada e me tornar Sócia, não há como não me orgulhar de cada passo, esse mérito é meu. O compromisso é seguir com a mesma disposição de plantar, só que com mais consciência do que realmente importa. Sigo com a certeza de que liderança não é título, é serviço. Sigo acreditando que resultado de verdade é aquele que não sacrifica valores. E sigo honrando o que aprendi na prática: a cultura é o que permanece quando os dias difíceis chegam, e o caráter é o que sustenta o que a competência constrói.
Se eu tivesse que resumir, eu diria assim: eu voltei porque o Lara Martins não foi apenas um lugar onde eu trabalhei. Foi um lugar onde eu me tornei. E, por isso, eu acredito e eu sigo aqui, com o coração grato, os pés no chão, a mente em expansão e a mesma frase ecoando, agora com ainda mais sentido: pessoas precisam de pessoas.


